segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sustentabilidade e equilíbrio energético.
Parece ser um dilema, mas, esta é uma questão que cada um de nós deverá enfrentar ao longo do tempo. Como profissional de projetos, especialmente das instalações elétricas em habitações, tenho constatado sistematicamente a intrínseca relação entre o crescimento econômico da população e o desejo, quiçá a necessidade, de consumir esta forma de energia. A reflexão surge quando somos instados a pensar em novas edificações e verificamos que o desejo das pessoas por bens, anteriormente intangíveis, aflora de forma inconteste. São novos gadgets que surgem a todo instante facilitados pela incrível velocidade da eletrônica e das telecomunicações, inteligentemente produzidos por grandes conglomerados industriais. São novos aparelhos eletrodomésticos, nem sempre portáteis, a preços acessíveis despertando não apenas a cobiça, mas a possibilidade de aquisição, transformando-nos e às nossas casas em vorazes consumidores de eletricidade.
Mas o que fazer em termos de engenharia e, por consequência, de engenhosidade, para atender estes anseios crescentes da população? A resposta não é simples, porém, vejo na questão da sustentabilidade das habitações uma resposta eficaz.
O primeiro ponto a se considerar é a necessidade de vislumbrarmos com clarezas que, para que um projeto seja sustentável, ele precisa fundamentalmente ser viável. De nada adianta planejar ações que aperfeiçoem a operação e o funcionamento das habitações, se for necessário um investimento demasiadamente alto para concretizá-las. Por isso, para que seja válida e sustentável, o mais importante é que a ação, a médio ou longo prazo, seja paga e possivelmente remunerada, com as próprias economias geradas.
Muitas vezes, é necessário iniciar as ações sustentáveis com investimentos em equipamentos que visem à eficiência energética, como sensores, temporizadores, redução de ilhas de calor e até pinturas adequadas bem como a inclusão de áreas de sombreamento, com jardins de espécies nativas e, mais recentemente, a instalação de verdadeiras micro usinas de energia eólica e solar na cobertura das edificações.
Também podem ser praticadas ações simples, como a coleta seletiva de resíduos, amplamente divulgada e já executada em grande parte dos nossos municípios, mesmo para pequenos e médios geradores de resíduos. Medidas como estas podem ser aplicadas tanto em empreendimentos já existentes como também em novas construções. Nos dois casos, o investimento, além de todos os benefícios ambientais, proporciona redução de custos em médio prazo, uma vez que aperfeiçoa o uso da energia.
Sejam em edificações novas ou para empreendimentos já existentes, torna-se necessário a existência de uma legislação municipal que seja pautada pela busca por certificações, para validar as práticas sustentáveis, como existem nos países desenvolvidos e em importantes cidades brasileiras. Vejo como inevitáveis tais práticas e a tendência é que, estimuladas pelos poderes públicos, tenhamos uma trajetória crescente na busca das aludidas certificações.
Por ser sustentável desde a construção, empreendimentos com tais praxis certamente poderão ter uma sobrevalorização significativa em relação a empreendimentos comuns, além de apresentar uma maior velocidade na comercialização. Embora o valor inicial seja mais alto para quem adquire os espaços, a tendência é que o valor do condomínio seja menor, com o passar do tempo, já que a edificação é projetada para aperfeiçoar o uso de recursos, evitando o desperdício.
Estudos ambientais e de sustentabilidade indicam que quando a operação também é sustentável, a redução gerada com a melhoria da performance chega a pelo menos 30%, o que possibilita atratividade para o empreendedor instalado nos espaços comerciais e de serviços, em prédios de utilização mista. Sistemas de acondicionamento do ar, uma das principais medidas amplamente revistas em um projeto sustentável, constitui-se em um dos vilões dos condomínios correspondendo a 48% do total da conta de energia, mas esse número pode chegar até 60%, dependendo da solução adotada, nível de eficiência e idade do equipamento.
Uma edificação Green (verde), é projetada com tecnologia para consumir menos energia e menos água, o que amplia os benefícios em longo prazo. Mas, para que as práticas sustentáveis cheguem aos pequenos e médios empreendimentos, é preciso a disseminação da informação, seja por iniciativas públicas ou privadas. A sustentabilidade é um jogo em que todos ganham - a sociedade, o planeta e o investidor - porém, poucos conhecem o benefício dos edifícios verdes porque ainda não os temos na nossa região. Por pouco tempo: essa é uma das nossas metas. Investir nas mudanças, em um novo contexto acredito ser uma excelente aposta para o bem viver.
                                                 Mario  Noronha  Agert
                                                  Engenheiro Eletricista
                                                   Professor da Unijuí

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